A cura por meio da autorresponsabilidade (por Everton Gubert)

A cura por meio da autorresponsabilidade (por Everton Gubert)

A internet e o mundo digital têm nos proporcionado incontáveis benefícios e serviços, sendo a maior parte destes de forma gratuita, ficando até difícil eleger o que é mais bacana e útil neste mundo de possibilidades. Um dos que eu mais aproveito é o acesso à plataforma de compartilhamento de vídeos YouTube. Neste site, que é o terceiro endereço mais visitado do mundo, eu consigo acessar uma infinidade de conhecimentos, das mais variadas áreas, disponíveis em sua maioria por meio de palestras ministradas pelos mais renomados e competentes pensadores da atualidade. Antes do YouTube, essa façanha era impensável.

Como de costume, dias atrás eu estava fazendo as minhas pesquisas por lá e encontrei por caso uma palestra de filosofia com o Prof. Luis Henrique Beust que acabou me marcando muito pelo aprendizado que pude tirar dela. Na palestra, o Prof. Luis citava um importante sábio indiano e contava da visita deste sábio aos EUA no início do século passado. Contava que, quando o sábio desembarcou por lá, ele foi logo assediado pelos repórteres que estavam ávidos para conversar em primeira mão com o grande mestre da época. A primeira pergunta que ele teve que responder foi bastante direta e profunda. Um dos repórteres queria saber qual era o principal propósito da vida. O grande sábio respondeu, de forma mais direta ainda, que o maior propósito da vida de um ser humano é o desenvolvimento de virtudes. O homem está aqui na terra para desenvolver virtudes. Ponto final. E completou dizendo que a felicidade e a paz crescem no coração do ser humano na medida em que ele desenvolve as suas virtudes.

Eu achei essa resposta simplesmente fantástica, não só pela capacidade de síntese contida nela, mas principalmente porque ela fez muito sentido pra mim. Também compartilho da filosofia de que a vida é um eterno aprendizado e um eterno desenvolvimento de capacidades, ou seja, virtudes (segundo o mestre). Basta refletirmos sobre cada um de nós que facilmente veremos o quanto nos desenvolvemos ao longo dos anos. O quanto aprendemos com as experiências vividas e o quanto melhoramos e somos mais felizes na medida que somos capazes de desenvolver as nossas virtudes. Uns desenvolvem mais a virtude da paciência. Outros a virtude do perdão. Outros o da confiança. Outros o da solidariedade. Enfim, são inúmeras virtudes e capacidades que podemos melhorar, cada um com a sua listinha mais prioritária e necessária nesta vida.

Refletindo sobre as virtude que eu já tenho plena consciência do quanto desenvolvi, há uma que eu considero a virtude das virtudes. Essa capacidade é tão importante para mim que eu a utilizo não só no campo pessoal para curar algumas das minhas mazelas, como também no campo profissional para ajudar na cura das mazelas das equipes onde eu atuo. Ela é a virtude da AUTORRESPONSABILIDADE.

A maior cura que a autorresponsabilidade me trouxe foi a cura do estado de vitimização. Essa condição emocional é um atraso para o desenvolvimento pessoal e, claro, profissional. A pessoa que se coloca em estado de vítima transfere sempre a “culpa” de tudo que acontece em sua vida para o outro, seja o outro uma pessoa ou uma circunstância. “Eu não passei de ano por causa da jararaca da professora de matemática, que era péssima”. “Eu não fui promovido porque meu chefe não vai com a minha cara”. “Eu quebrei duas empresas por causa da crise no Brasil”. “Eu fui demitido porque a empresa não aceitou as mudanças que eu queria promover”.  Parecem familiares esses exemplos? Tenho certeza que você conseguiu lembrar de outros, sejam eles seus ou de outras pessoas, não é mesmo? Sem desenvolver a virtude da autorresponsabilidade, não vou conseguir enxergar que TUDO que acontece na minha vida tem a minha parte, o meu quinhão, que é aliás, é fruto das minhas escolhas. Sem desenvolver a virtude da autorresponsabilidade vou continuar terceirizando a culpa do que acontece comigo para os outros, fomentando desta maneira a minha frustração e minha infelicidade.

Certo, já entendi que tudo tem a ver comigo, minhas decisões, minhas escolhas, mas como desenvolver a autorresponsabilidade? Bem, as virtudes não caminham sozinhas, dependem umas das outras e, nesse caso, é preciso ao menos a ajuda da paciência, da disciplina, da coragem e da humildade. Não é um processo fácil, aliás quem disse que crescer é fácil? Requer o exercício de manter a consciência em estado de alerta, se colocar como observador das suas atitudes, para que aos poucos você incorpore a virtude da autorresponsabilidade como um hábito diário. Uma dica que pode ajudar é introduzir as práticas sugeridas no livro O Poder da Ação, do autor Paulo Vieira, são elas: 1- Se for para criticar (os outros), cale-se; 2- Se for para reclamar, dê sugestão; 3- Se for para buscar culpados, busque solução; 4- Se for para se fazer de vítima, faça-se de vencedor; 5- Se for para justificar seus erros, aprenda com eles; 6- Se for para julgar as pessoas, julgue suas atitudes.

Sabedor do poder curativo e libertador dessa virtude, como líder utilizo a autorresponsabilidade como uma das principais ferramentas de desenvolvimento das equipes onde atuo. Como ser humano, me sinto na obrigação de impulsionar o desenvolvimento desta virtude nas relações em que tenho oportunidade de me envolver. Tenho, invariavelmente, alcançado expressivos resultados com este posicionamento perante a vida e espero que essa partilha sirva para que você possa promover outras curas.

Fonte:
Artigo extraído da Revista Feed&Food, escrito por Everton Gubert, fundador e diretor da área de Inovação da Agriness.

Enviar comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *